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Segundo Andrey Schlee, preservar o patrimônio é questão de sobrevivência

Foto: Núbia Selen

Na próxima semana, o patrimônio histórico será o tema da 11a edição da Aula Magna do CAU/GO, dirigida aos estudantes de Arquitetura e Urbanismo do Estado, como também aos professores e a toda a sociedade. Com palestra do doutor em Arquitetura e Urbanismo Andrey Schlee, diretor de Patrimônio Material do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Brasília, o evento será realizado no Teatro Unip, em Goiânia, no dia 13; e na Regional da UFG na cidade de Goiás, no dia 14. Clique aqui para saber mais e fazer sua inscrição.

Confira abaixo a entrevista concedida por Andrey Schlee, por e-mail:

Por que devemos preservar o patrimônio arquitetônico?
Em geral, afirmo que devemos preservar nosso Patrimônio por uma questão de sobrevivência. Ou seja, para reforçar nossa memória e identidade. Temos que ter consciência do que somos, para refletir criticamente sobre o que nos oferecem no presente e construir o que seremos no futuro. Especificamente sobre o patrimônio arquitetônico – aqui encarado de forma ampla – cabe uma reflexão do ponto de vista da chamada sustentabilidade. Basta perceber a facilidade e a rapidez com que alteramos completamente a fisionomia de nossas cidades. Destruir o estoque edificado e substituí-lo por outro – a cada nova geração – significa adotar uma atitude perdulária e irresponsável com o passado e com o planeta. É desconsiderar e descartar a energia, a força de trabalho, a matéria prima, os materiais, o conhecimento que já foram empregados. Os chamados países desenvolvidos ou do “primeiro mundo” preservam seu patrimônio.

Quais são as principais ameaças ao patrimônio arquitetônico no Brasil hoje?
São muitas: a desinformação generalizada sobre a importância das referências culturais; a desvalorização da cultura e dos bens protegidos no país; a falta de uma cultura de manutenção ou conservação preventivos; o velho preconceito que só considera bom o que é estrangeiro ou o que é novo; a maneira desqualificada como nossas cidades estão sendo construídas pelos promotores imobiliários e proprietários de terra, e que conta com o suporte dos poderes constituídos; a arquitetura pouco criativa ou com pouca qualidade que estamos realizando.

Que medidas precisam ser implementadas, seja na gestão pública, seja na responsabilização dos cidadãos, a fim de que esse patrimônio seja preservado?
A primeira medida nós chamamos de “educação patrimonial”. Parafraseando o conceito de “educação ambiental”, seria o conjunto de processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a preservação do patrimônio cultural. Necessitamos muito de projetos de educação patrimonial na escola formal, mas também fora das instituições de ensino: nos clubes, nos sindicatos e nas associações de moradores, entre outros espaços. Trata-se de um processo de fortalecimento da cidadania. A segunda medida envolve diretamente a gestão pública e implica na construção coletiva de um sistema nacional de patrimônio cultural, onde municípios, estados, Distrito Federal e a sociedade, efetivamente, poderão compartilhar a responsabilidade de preservar nosso rico patrimônio cultural. Trata-se de um processo de fortalecimento das instâncias de gestão e participação.

Por que é importante que os estudantes se debrucem sobre o tema da preservação do patri-mônio?
Estamos falando da base de nossa sociedade, das crianças e dos jovens em formação, que devem ter nas suas referências culturais os elementos fundamentais para a construção e fortalecimento de processos de identidade e de memória. “Só se protege o que se ama, e só se ama o que se conhece”.

Em Goiânia, está tendo início a realização de passeios turísticos para a apreciação do patri-mônio art déco, presente desde os primórdios da capital. Na sua opinião, esse tipo de ativi-dade, que tem surgido em outras cidades, pode auxiliar no reconhecimento e resguardo des-ses bens culturais?
Eu não conheço o projeto, mas considero a iniciativa de extrema importância. Pode ser um bom exemplo de ação de educação patrimonial e construção de pontes entre os cidadãos e sua cidade.

 

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