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Em homenagem pelo Dia da Mulher, CAU/GO conta a história de duas arquitetas

A professora da UFG Erika Kneib, doutora em mobilidade, e a arquiteta Luana Lousa, que investe nas soluções sustentáveis para seus projetos, foram as duas profissionais escolhidas para contar sua história, em uma homenagem do CAU/GO pelo Dia Internacional da Mulher.

A seleção foi feita por meio do site do Conselho, entre os últimos dias 19 e 22 de fevereiro, quando 90 profissionais indicaram o nome de 23 arquitetas com atuação em Goiás. Encerradas as manifestações, foi averiguado se cada profissional estava em dia com a autarquia para, em seguida, o Conselho Diretor do CAU fazer a seleção final.

Composto pelo presidente Arnaldo Mascarenhas Braga, o vice-presidente Frederico Rabelo e os coordenadores das comissões – Regina de Faria Brito, Fernanda Mendonça e Paulo Renato Alves – o grupo se baseou nos critérios de densidade e abrangência da obra/produção; contribuições para o conjunto da sociedade; reconhecimento por parte dos profissionais; e atuação em mais de um campo de atividade.

O objetivo da homenagem é dar visibilidade à contribuição das mulheres para a Arquitetura e Urbanismo, que durante muito tempo foi considerada território masculino. Do acesso à formação às obras de destaque, o espaço feminino esteve restrito por muitas décadas na área. Segundo o coletivo Arquitetas Invisíveis, são comuns as histórias de arquitetas que tiveram seus trabalhos relegados a segundo plano em detrimento de seus colegas de trabalho.

Hoje, o cenário passa por transformações e as arquitetas são maioria numérica. Entre os 3.418 profissionais com registro ativo em Goiás, 2.290 são mulheres, número que corresponde a 67% do total. No Brasil, do universo de 154 mil profissionais registrados, 62,6% são do sexo feminino.

Erika Kneib

Graduada em 2000 na Universidade Federal do Espírito Santo, onde nasceu, a mestre e doutora em transportes pela Universidade de Brasília (UnB) conta que sua experiência na capital federal foi muito importante acadêmica e profissionalmente. “Enquanto arquiteta, eu gostava muito do planejamento urbanístico e de mobilidade. Mas não me sentia plenamente capacitada para trabalhar com estes temas e por isso fui me aprofundar em Brasília”, afirma. “Além de fazer a pós-graduação, trabalhei em projetos do Ministério dos Transportes, Ministério das Cidades e Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). No Ministério das Cidades, vi nascer a atual abordagem sobre mobilidade urbana”.

A capixaba, que tem pós-doutorado pelo Instituto Superior Técnico de Lisboa, mudou-se para Goiânia em 2010, quando foi aprovada em um concurso de professores para o recém-inaugurado curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Goiás (UFG). Na instituição, consegue aliar teoria e prática, já que além das pesquisas que desenvolve junto aos alunos do mestrado do programa Projeto e Cidade, trabalha em cursos e consultorias de mobilidade contratadas por prefeituras e o Estado, por exemplo. “Desde 2014, coordeno a área de Mobilidade Urbana do Plano de Desenvolvimento Integrado da Região Metropolitana”, conta. No ano passado, o trabalho foi paralisado pela segunda vez. “Estamos aguardando a retomada para terminar o detalhamento do Plano e transformá-lo em minuta de lei”.

“Para melhorar a mobilidade da cidade”, diz a arquiteta, “é preciso implementar o que já foi planejado”. Segundo ela, a revisão do Plano Diretor da capital, em andamento, precisa garantir que a construção dos corredores exclusivos ou preferenciais do transporte coletivo saia do papel, além de estabelecer mecanismos para desincentivar o uso do carro particular.

Luana Lousa

“Sempre fui uma pessoa incomodada”, explica a arquiteta, que nunca se conformou em dar descarga com água tratada ou em deixar que a água de chuva seja um problema, em vez de uma solução urbana. “Acho isso parecido com ser honesto. Deveria ser obrigação e não vantagem entre uns e outros”.

Graduada na PUC Goiás em 2000, Luana trabalha em seus projetos, tanto residenciais quanto comerciais, com soluções ecológicas como tijolo de terra crua, bacia de evapotranspiração, teto verde e horta, entre outras, elaboradas de acordo com as características e os elementos de cada local. “No caso do telhado vivo, utilizamos tecnologia bastante simples, de baixa manutenção, que aumenta a vida útil das impermeabilizações, além de resgatar carbono, reter águas pluviais e melhorar a inércia térmica das coberturas, otimizando o desempenho das edificações”, afirma.

“Outro bom exemplo são as bacias de evapotranspiração, tecnologia extremamente simples, criada pelo Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado (IPEC), em Pirenópolis”, conta a arquiteta. Trata-se de caixas vedadas, enterradas, sem contato com o solo, que tratam as águas negras em um processo que envolve a ação de bactérias anaeróbicas e as raízes das bananeiras cultivadas no local.

Para Luana, entre os desafios para se avançar na implantação de projetos mais sustentáveis na construção civil estão os ganhos tecnológicos e a melhor análise do ciclo de vida dos materiais. “Precisamos qualificar nossa mão de obra para operar impressoras 3D em terra, por exemplo, ou desenvolver rebocos naturais”, afirma. Segundo Luana, por mais que tenhamos vidros de alto desempenho, películas de alta eficiência ou células fotovoltaicas incorporadas às esquadrias, é necessário avaliar o ciclo de vida de cada material, para conhecer sua relevância de fato no “mundo da sustentabilidade”. “Precisamos criar espaços ‘tecnovivos’ e gerar ambientes que possam contribuir com a saúde das cidades e de ambientes construídos”.

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