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Selo CAU/DF: Presidente do CAU/GO é homenageado por projeto em Brasília

Nesta semana, o CAU do Distrito Federal anunciou oito edificações selecionadas para receber o Selo CAU/DF, que visa promover o reconhecimento do valor histórico das edificações não monumentais de Brasília e de seus autores. Entre as obras, está o Bloco E da SQS 309, que foi projetado pelo arquiteto e urbanista Arnaldo Mascarenhas Braga, presidente do CAU/GO, no início dos anos 1970.

O edifício ganhou o Selo por sua qualidade arquitetônica, boa conservação e contribuição para a história da arquitetura moderna brasileira. A construção nunca passou por reforma, somente por manutenções prediais.

“Devo esse reconhecimento à existência do CAU/DF, ao trabalho e à sensibilidade dos conselheiros e de todos os que se dedicaram. Compartilho com esses parceiros a minha satisfação e minha alegria”, afirmou o presidente do CAU/GO. “Com a surpresa pelo Selo, veio uma constatação: de que mesmo com os grandes desafios do nosso ofício, as exigências e os limites – técnicos, éticos e comerciais – e com circunstâncias rigorosas, podemos contribuir com engenho e criatividade, e sermos reconhecidos por isso.”

O engenheiro responsável pela execução, Adalberto Mascarenhas, tio do presidente do Conselho, também foi homenageado na cerimônia.

Engenheiro Adalberto Mascarenhas

“Ele era a ponte com a engenharia, seu incentivo foi vital em muitos dos meus trabalhos, todos os meus conhecimentos de obra devo a esse valioso mestre”, afirmou Arnaldo Mascarenhas Braga. “O projeto seria mais um corriqueiro edifício residencial, muito distante dos monumentos arquitetônicos que ponteiam a cidade.”

Segundo o arquiteto, os construtores “patrulhavam muito” os estudos preliminares. “Queriam uma solução inédita para as dimensões da projeção: três prumadas, seis apartamentos por andar. Eram reuniões complexas, já tinham recusado propostas elaboradas por renomados arquitetos. Estavam fora de questão grandes vãos, balanços, lajes de transição, formalismos, ou qualquer outra, grande ou pequena, ousadia.”

“Afortunadamente, dentro dessas circunstâncias, consegui dois achados: o primeiro foi o almejado arranjo de seis apartamentos de quatro quartos por andar, sem sacrifício dos cômodos e seguindo todas as normas vigentes. O segundo achado foi estrutural: propus pilares nos limites externos da projeção, infringindo o tamanho dos vãos, e rebatendo que assim desobstruía a planta, deixando um único pilar na área útil, permitindo outras soluções de planta. Um detalhe que possibilitou a existência do edifício.”

Solenidade
O anúncio das edificações selecionadas foi feito no último dia 1o de dezembro. Na quarta-feira, dia 2, a solenidade de entrega do Selo CAU/DF ao Bloco E foi marcada por emoção e agradecimentos. Moradores desceram para o pilotis do edifício, para receberem os representantes do CAU/DF e de sua Comissão Temporária de Patrimônio, no intuito de homenageá-los por sua preocupação em preservar a história da edificação e, consequentemente, o patrimônio da cidade. Isso porque o Selo CAU/DF também tem o objetivo de divulgar as boas práticas de conservação e manutenção predial, que preservaram a linguagem arquitetônica do movimento moderno.

“É um grande privilégio possuir um projeto que encontrou mãos cautelosas e respeitosas, tanto dos construtores como dos moradores”, afirmou o presidente do CAU/GO. “Acredito que aconteceu uma aproximação, uma empatia, gerada por constatação recíproca do valor, trabalho e dedicação.”

Clique aqui para ver a apresentação do edifício e aqui para acessar detalhes do levantamento e avaliação.

Histórico
O Bloco E foi um dos 30 indicados pela Comissão Temporária de Patrimônio do CAU/DF para o recebimento do Selo CAU/DF. No dia 13 de setembro, foi vistoriado pela equipe avaliadora, que apresentou seus argumentos à comissão no dia 21 do mesmo mês.

Além da arquitetura da edificação residencial multifamiliar (habitação coletiva), cuja construção tem data presumida de 1973, a avaliação centrou-se nas questões de preservação e manutenção das suas características originais – fachadas e pilotis – bem como no respeito aos parâmetros urbanísticos e paisagísticos típicos das superquadras do Plano Piloto.

Visitado pela primeira vez em setembro deste ano pelos avaliadores da Comissão, o Bloco “E” da SQS 309 atendeu aos critérios de relevância como manutenção adequada das fachadas, dos pilotis livres (sem cercamento), dos revestimentos, cores originais, entre outros. Datado de 1973 (data presumida), ele se destacou, dentre outros aspectos, por sua harmonia estética e conservação dos materiais do pavimento térreo e adequada manutenção do entorno imediato do edifício, com acessibilidade e garantia da livre circulação, além de paisagismo bem conservado.

“Um edifício bem preservado dessa forma é muito bom para a nossa identidade cultural. O Selo é o reconhecimento de um edifício que aparentemente não é tão conhecido da população e da sociedade em geral, mas que ganha destaque e passa a ser valorizado também por turistas e pela população, por entenderem que aqui também está um exemplar do patrimônio de Brasilia”, afirmou o presidente do CAU/DF, Daniel Mangabeira. Segundo o coordenador da Comissão Temporária de Patrimônio, conselheiro Pedro Grilo, um dos objetivos do Selo é mostrar que a história dessa cidade foi escrita em linhas modernas.

O arquiteto e urbanista Antonio de Menezes Júnior, conselheiro e um dos avaliadores da Comissão de Patrimônio do CAU/DF, destacou a importância de se conservar as características originais dos prédios, inclusive para a memória e lembranças afetivas de cada indivíduo. “As pessoas usam os lugares, valorizam, se apropriam, os transformam como se fossem a sua casa, seu espaço, sua história. Sou ´filho de pilotis´, e ver isso tudo sendo preservado e materializado não deixa de ser uma homenagem a todos nós.”

As homenagens continuaram com a entrega de certificados aos responsáveis pelo projeto original, construção e manutenção do Bloco. O presidente do CAU/GO participou virtualmente da cerimônia e esteve representado na solenidade de entrega por sua irmã, Maria Luiza. Seu tio Adalberto Mascarenhas também participou da cerimônia e emocionou a todos com seu depoimento. “Tenho grandes lembranças daquela época (de construção). Vi surgir Brasília do nada. Quando cheguei aqui era só Cerrado e, naquela época, a gente tinha um tal de ´aqui vai ser, aqui vai ser´…” brincou, fazendo referência aos anos iniciais da construção de Brasília.

Para Arnaldo Mascarenhas, receber o reconhecimento representou consideração “a um trabalho comedido, desafetado, despretensioso”. “Significa a apurada visão da arquitetura e de suas múltiplas vertentes. Sinaliza responsabilidade e perenidade de uma obra.”

“Eu estava em início de carreira, com três anos de formado, e agora vejo que já estavam lá as bases que até hoje respeito e executo”, disse o arquiteto. “Esse fato veio colorir mais ainda a minha vivência brasiliense, os anos de estudo na UnB, o trabalho na Prefeitura do DF, o contato com colegas notáveis e mestres magníficos.”

Segundo o coordenador da Comissão Temporária de Patrimônio do CAU/DF, Pedro Grilo, a iniciativa do Selo deverá ter continuidade na próxima gestão do Conselho (2021-2023).

Com informações do CAU/DF.

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