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Pesquisa mostra que 90% faz obra sem arquiteto

De acordo com uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto Datafolha, por encomenda do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR), 54% da população economicamente ativa do país já construiu ou reformou imóvel residencial ou comercial. Desse grupo, na região Centro-Oeste, quase 90% fez o serviço por conta própria ou com pedreiros e mestres de obras, amigos e parentes. Apenas 10,5% contrataram o serviço de um arquiteto ou engenheiro.

Saiba mais sobre os resultados da pesquisa CAU/BR-Datafolha!

Para o levantamento, entre 9 e 12 de junho foram ouvidas 2.419 pessoas, em 177 municípios. Goiânia foi uma das seis capitais visitadas para a realização da parte qualitativa da pesquisa. Nessas entrevistas, a maioria dos cidadãos que utilizou apenas serviços de mestres de obras ou pedreiros mostrou-se arrependida. Falta de planejamento, custos acima do orçamento original, descumprimento de prazos, desperdício de material e necessidade de refazer serviços foram as principais razões apontadas.

O CAU/GO, além disso, alerta que a falta de um profissional especializado na realização de reformas ou construções particulares pode ocasionar diversos problemas na obra, além de oferecer risco para a segurança. O conjunto de construções malfeitas contribui para a piora dos espaços urbanos e da qualidade de vida nas cidades.

“As pessoas conhecem mais a Arquitetura de Interiores, por ser uma atividade que tem mais divulgação. Mas o arquiteto também sabe muito bem dimensionar os espaços internos e externos de uma habitação ou comércio, assim como o quantitativo de material e o prazo para a realização de uma obra”, explica o presidente do Conselho, Arnaldo Mascarenhas Braga. “Além disso, compartilhamos atribuições com nossos colegas da engenharia civil, como a execução de obras e o desenvolvimento de projetos técnicos. Lembrando que também somos urbanistas, com um vasto campo de atuação.”

Custo-benefício
O levantamento do Datafolha indicou que a principal barreira para a contratação de serviços de arquitetos é o senso comum de que se trata de um trabalho caro. Ao serem informados de que o custo é de cerca de 10% do valor total da construção ou reforma, a maioria julgou ser uma boa relação custo-benefício. “O projeto é um pequeno percentual da obra. E um projeto bem elaborado vai ajudar a economizar na maior despesa, que é a própria construção, além da futura manutenção. E tudo isso resulta em ter um patrimônio que vale mais”, diz o presidente do CAU/BR, Haroldo Pinheiro.

A pesquisa também revela que, entre aqueles que contrataram arquitetos e urbanistas para auxiliar na obra, há um índice altíssimo de satisfação: 78%. E que 70% da população economicamente ativa considera a possibilidade de contratar um arquiteto e urbanista na realização de sua próxima construção ou reforma.

De modo geral, a contratação de profissionais especializados está ligada à renda e à escolaridade. Enquanto 26,2% da população economicamente ativa com nível superior construiu ou reformou com ajuda especializada, esse índice é de 9,50% para a população com nível de escolaridade fundamental.  Entre as pessoas de classe AB, o índice de utilização de profissionais tecnicamente habitados é de 25,80%. Apenas entre as pessoas da classe A, essa taxa pula para 55,30%. A pesquisa completa pode ser acessada em www.caubr.gov.br/pesquisa2015.

Leis e normas
Segundo a legislação brasileira, toda nova edificação deve ser registrada junto ao governo e possuir um responsável técnico, que pode ser um arquiteto ou um engenheiro devidamente registrado em seu conselho profissional (CAU ou CREA).

Já no caso das reformas, entrou em vigor em 2014 a NBR 16.820 – Norma de Reformas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) – que estabelece que toda obra de imóvel que altere ou comprometa a segurança da edificação ou de seu entorno precisará ser submetida à análise da construtora ou incorporadora e do projetista, após o prazo de garantia.

A norma, recentemente atualizada, determina ainda que o proprietário ou locatário do imóvel encomende laudo técnico assinado por arquiteto ou engenheiro atestando que a reforma não afetará a segurança e estabilidade do imóvel. E o síndico ou a administradora, com base em parecer de especialista, poderá autorizar, autorizar com ressalvas ou proibir a reforma, caso entendam que ela irá colocar em risco a edificação. Entre as alterações listadas, estão a remoção ou o acréscimo de paredes, esquadrias, janelas e até mesmo revestimentos.

Embora ABNT não faça leis, mas, sim, normas, se houver algum acidente, o síndico e o morador que fez a reforma poderão ser responsabilizados, já que a jurisprudência, ao longo do tempo, mostra que o caminho “correto” a ser seguido é o de atendimento às normas da ABNT.

A NBR foi publicada pouco mais de dois anos após o desabamento do edifício Liberdade, de 20 andares, e de mais dois prédios, no centro do Rio de Janeiro, em 25 de janeiro de 2012. O acidente foi provocado por reformas irregulares no Liberdade e causou a morte de 17 pessoas. Cinco pessoas estão desaparecidas até hoje.

Com informações do CAU/BR

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