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O impacto do Design Biofílico na vida das pessoas – artigo da conselheira Anna Carolina Cruz

O Design Biofílico tem sido muito citado e utilizado nos últimos tempos. O termo Biophilia (bio: natureza, philia: amor) foi popularizado em 1984 pelo biólogo Edward Osborne Wilson, que explora a hipótese de que existe uma necessidade inconsciente do homem em relação à natureza.

Sabemos desse anseio. Buscamos pela natureza em nossos cotidianos ou simplesmente para fugir da rotina urbana, buscamos o ar fresco do campo, as águas geladas das cachoeiras, os pés na areia da praia, paisagens paradisíacas, ou optamos por ter plantas em casa. O que talvez não seja tão observado é como essa interação é importante para o corpo humano.

O Design Biofílico é uma resposta da Arquitetura e do Design para intervenções nos espaços. Não se trata simplesmente de inserir vegetações, plantas ou materiais naturais. Vai além da sustentabilidade, pois abrange questões comportamentais. Também ultrapassa a reparação estética, já que responde a uma dependência física, intelectual e cognitiva das pessoas.

Até a década de 1950, só um terço da população mundial habitava as cidades. Apenas a partir de 2007 é que a maioria da população passou a ocupar os ambientes urbanos. Vemos as pessoas focadas na produtividade, extremamente pressionadas por desempenho e com cargas horárias pesadas. A sociedade do século XXI já é conhecida como a “sociedade do cansaço” e o nosso habitat de ambientes construídos faz com que olhemos cada vez menos para os ambientes naturais.

Em agosto de 2021, o IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), das Nações Unidas, publicou seu 6º Relatório de avaliação de mudanças climáticas, em que os cientistas trouxeram mais evidências do que nunca sobre a responsabilidade humana pelo aquecimento global. Temos agora um planeta alterado e menos estável.
Outros dados, como os da Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que o Brasil é o país que apresenta maior prevalência de depressão na América Latina e de ansiedade no mundo. O que descobrimos com frequência é que nossas cidades e subúrbios foram concebidos de uma forma que nos aliena da natureza, além de degradar o meio ambiente. Fatores que têm piorado significativamente com a Covid-19, pois resultam em estresse crônico, isolamento social, ambientes desagradáveis, deterioração física, jornadas intermináveis, trabalho remoto etc. Ambientes que tenham conexão com a natureza são indispensáveis no atual período pandêmico, pois são uma forma de projetar buscando melhorias físicas, emocionais, psicológicas e cognitivas.

Tudo isso é biofilia. Mas ela é mais que uma prática projetual. Trata sobre preservação e busca por metodologias para uma conexão efetiva entre homem e natureza.

Para nós, arquitetos urbanistas, não há dúvidas de que os espaços influenciam diretamente o comportamento, as emoções e a vida das pessoas. Assim, inspirados pelas premissas do Design Biofílico, acreditamos em estratégias de projetos que estejam diretamente alinhadas às demandas da população para melhorias nas cidades e nas edificações. Mas sabemos que a Arquitetura, o Urbanismo e o Design por si só não são suficientes para combater os impactos já instaurados. Para isso, as soluções deverão ser coletivas e multidisciplinares.

*Anna Carolina Cruz, arquiteta e urbanista, é conselheira do CAU/GO

Publicado originalmente na revista Zelo (pág. 16).

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