Artigo

Leste-Oeste em discussão, artigo de Fernanda Mendonça

Em 1988, foram realizados em Goiânia estudos de mobilidade que resultaram em um sistema de vias estruturantes para a capital, delimitado através de uma linha imaginária denominada pelos técnicos de “Cordon Line” – Linha de Contorno. A partir daí, foram realizados levantamentos de uso e ocupação do solo, características socioeconômicas, padrão de viagens internas e externas à linha imaginária e pesquisa origem-destino nas rodovias.

A cidade foi dividida em 151 zonas de tráfego e, tomando como referência o PDTU (Plano Diretor de Transporte Urbano), foi definido que uma das vias estruturantes seria a avenida Leste-Oeste. Sua porção oeste teria início na Estação Ferroviária, no Centro de Goiânia, e seguiria rumo à saída para Trindade. Já sua porção leste seguiria para Senador Canedo.

O projeto para a Leste-Oeste foi pensado de maneira a coincidir com o leito da antiga ferrovia Brasil-Central. Atualmente, conta apenas com uma parte da porção oeste, que segue até a avenida Castelo Branco. No ano passado, em um acordo entre a Prefeitura e o Governo do Estado, teve início um novo momento da implantação da porção leste. É inegável, pelos estudos apresentados em 1988, a grande importância da via para os deslocamentos da cidade. Entretanto, verifica-se que, no decorrer de 30 anos, a capital apresentou mudanças significativas em seu tecido urbano, que podem ter gerado profundos reflexos nas necessidades de mobilidade dos cidadãos.

Além disso, segundo o Plano Diretor vigente, datado de 2007, trata-se de uma “via arterial de 1ª categoria”, ou seja, adequada para o transporte coletivo. Mas, com exceção de alguns veículos de transporte intermunicipal, não há circulação de ônibus na avenida. Considerando o elevado número de pessoas que percorre esse eixo da cidade e a insustentabilidade da primazia do transporte motorizado individual, sem dúvida esse quadro precisa mudar.

Dessa forma, dar continuidade às obras sem uma atualização dos estudos técnicos é, no mínimo, uma tomada de decisão irresponsável. Nas décadas de 1975, 1985 e 2000, planos de transporte foram realizados e tanto o sistema viário quanto o sistema de transporte foram estudados. No entanto, a exigência de um Plano de Mobilidade, cujo novo prazo para conclusão é abril de 2019 (segundo a lei 12.587/12), foi negligenciada pelos nossos gestores.

Não podemos aceitar que decisões essenciais sejam tomadas por vontade política, enquanto as leis são ignoradas.

*Fernanda Mendonça, conselheira do CAU/GO 

Publicado originalmente no jornal O Popular, 18/03/19

OUTRAS NOTÍCIAS

Entrevista com George Lins

Brasília sediará a IV Conferência Nacional de Arquitetura e Urbanismo entre 8 e 10 de novembro

Prêmio TCC 2023 está com inscrições abertas! Prazo de envio é até 10/11